Canelites

20-11-2012 23:00

 

Síndrome do Stress Tibial Medial (SETM), “Canelites”)

 

 

As dores nas pernas são queixas muito frequentes nos corredores e as “canelites” representam 6% a 16% de todas as lesões nos corredores. A “canelite”, considerada uma lesão por sobrecarga no desporto, em particular na corrida, é o nome popular da síndrome do stress tibial medial (SETM), descrita como uma dor induzida pelo exercício e localizada especificamente na margem posterior e interna (medial) da tíbia. Outras denominações são encontradas na literatura, tais como: a “dor na perna induzida pelo exercício” e a “tibialgia”. Embora vários estudos tenham procurado estabelecer as causas exatas para o surgimento da dor na “canela”, esta questão permanece ainda não resolvida. Até recentemente, a teoria mais aceite é a inflamação do tecido que recobre o osso da tíbia (periósteo), gerada pela tração dos músculos sóleo e flexor longo dos dedos, além do tecido que recobre os músculos, a fáscia profunda. Mais recentemente, estudos apresentam a teoria de que a “canelite” não corresponde a uma inflamação, mas sim a uma resposta de formação e absorção de osso, secundária à tração que os músculos exercem sobre a tíbia. A sensação de “dor óssea”, gerada durante a corrida e recepção dos saltos, tem uma evolução progressiva. No início, a dor apresenta baixa intensidade, mas pode evoluir para grande intensidade, impossibilitando o atleta de continuar a actividade ou treino. A dor tem uma extensão de 4 a 6 cm, localizada principalmente na margem posterior e interna (medial) da tíbia. Os sintomas podem durar dias a meses e provocar mudanças no rendimento do atleta. Os movimentos do pé e tornozelo geralmente não desencadeiam dor, porém os movimentos de alongamento do músculo sóleo e os saltos com uma perna, podem ser sintomáticos. Os fatores predisponentes ao aparecimento das canelites são ainda amplamente discutidos, tais como: a pronação excessiva, as atividades de impacto repetitivo, o aumento súbito na frequência, intensidade e duração do treino, o treino em superfícies rígidas, algumas técnicas de treino, calcados inadequados, os desequilíbrios musculares, as deficiências de flexibilidade, os índices de massa corporal elevada e as anormalidades biomecânicas.

A ressonância magnética é o melhor método de imagem para diagnóstico especifico de cada estágio, fornecendo dados mais confiáveis da duração e da extensão da lesão.

A observância da evolução desta lesão é de grande importância para o acompanhamento clinico e o tratamento do atleta.

As formas de tratamento são inicialmente conservadoras, através de utilização de medicamentos (sob prescrição), as compressas com gelo (Crioterapia), os exercícios de alongamentos, as modificações no treino e as correcções biomecânicas, a escolha criteriosa de calçado adequado, entre outros métodos.

O tratamento cirúrgico fica reservado aos casos mais duradouros e sem sinais de melhorias, através dos tratamentos conservadores anteriormente mencionados.

 

Amadeu Gomes.

Fonte: www.orkut.com.